Sem Cerimônia
Não se queira escrever sobre o que não se conhece, é a opinião mais corrente. Já diziam os mais velhos, "não se deve meter a cara onde pouco ela consegue ver". Mas qual é a graça de catalogar a repetição das coisas? Não é mais intrigante - e menos cômodo - fuçar no alheio do que doutorar-se no usual? Eu não sei. Bom é saber que a comodidade denro de nós, na maioria das vezes, tende a ser incomodada pela energia da juventude, por seu idealismo e intrepidez. A vulgaridade nos adormece, nos deita à cama da mesmice? Algo dentro de nós bate à porta, chuta-a e arromba, basta que haja uma provocação. Ainda bem que o mundo não é feito só de boas maneiras. Quando alguém é muito novo, a fumaça à frente é mais espessa, menos se vê, mais se derrapa, muito de tudo é desafio. É daí que vem esta sensação de buscar o inexplorado, de nele tropeçar, fustigar-se, nascer e morrer de novo. E quase todos vão de encontro a algo.
Camões lamentou ter de cantar a gente louca e ensandecida. Eu não lamento nada. No fundo, as pessoas querem ouvir. Só é necessário ter algo a dizer. Mas sem cerimônia. De complicado, basta a vida. Ou não? No fundo, toda a boa idéia deveria terminar com um ponto de interrogação.
Escrito por Daniel às 22h40
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